encontrei ideias muito lúcidas sobre performance (ou arte-performance) em um livro sobre música popular, na verdade um estudo já clássico do pesquisador britânico Simon Frith. interessante notar como a música popular é uma área (tanto um campo de criação como de pesquisa acadêmica) capaz de articular e sintetizar noções de diversas disciplinas. isso sim é multi/inter/trans/anti/in – disciplinaridade.
traduzo um trecho abaixo:
“… o corpo-em-comunicação na arte-performance põe em tensão não simplesmente o subjetivo e o objetivo (a questão da arte), mas também o privado e o público (a questão do cotidiano). Em nossa experiência (ou imaginação) de nossos próprios corpos, quero dizer, existe sempre um espaço entre o que se quer dizer (o corpo dirigido de dentro) e o que é lido (o corpo interpretado de fora); e este espaço é uma contínua fonte de angústia, uma angústia de que, não o corpo em si, mas seu significado está fora de nosso controle. Na maioria das performances públicas, o corpo é, de fato, submetido a um tipo de controle externo, a motivação proporcionada por uma partitura ou roteiro ou rotina da situação social, que atua como uma rede de proteção para ambos performer e público. É esta rede de proteção que o artista da performance abandona, e pode-se concluir que a essência da arte-performance é, em sua finalidade, embaraço, um constante senso de inapropriado. Se, no teatro convencional, alguém se embaraça apenas quando esquece o texto ou fica de repente ‘fora do personagem’, na arte-performance se está à beira do embaraço o tempo todo porque o performer não está ‘no personagem’ para começo de conversa (e a tensão nervosa entre o público de uma ‘performance’ em oposição à ‘performance de uma peça de teatro’ é palpável).” (p. 206)
Frith, S. (1996) Performing Rites – on the value of popular music. Harvard University Press.
Muito bem escrito e claro, o texto acima sobre performances. O autor manda muito bem.
Este é também um dos objetivos específicos do 1º Circuito Cultural de Inverno de Nova Era, MG, 2012. Avaliar as tensões do público nas praças públicas e espaços urbanos da cidade.
Frith, S. faz parte do meu trabalho de TCC – Puc – Minas.
Grato.